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Setembro Amarelo, Vingadores, Tiago Iorc e 13 Reasons Why juntos?

setembro 25, 2019

Setembro Amarelo, Vingadores, Tiago Iorc e 13 Reasons Why juntos?

Setembro Amarelo, Vingadores, Tiago Iorc e 13 Reasons Why. Qual a relação entre eles? Este post atingirá seu propósito na medida em que conseguir responder a esta pergunta, contar um outro lado da história e acender um lampejo de luz bem lá no fim do túnel deste nosso Setembro.

Nota de pesar

Nos últimos meses, têm-se visto com pesar muitos casos de morte por suicídio no País.
Enquanto os índices caíram 17% no resto do mundo, a taxa entre jovens de 10 a 19 anos aumentou 24% nas seis maiores cidades brasileiras, e 13% no interior do país, entre 2006 e 2015. (Revista Brasileira de Psiquiatria). Pesquisadores apontam a popularização da internet, as mudanças sociais no país e a falta de políticas públicas de combate a este mal como as principais razões para esse aumento.

Denúncia da Arte

Em 1933, a canção ‘Gloomy Sunday’ do compositor húngaro Rezsõ Seress ficou conhecida como “a música húngara do suicídio”. O contexto histórico era de guerras e profunda angústia. Após várias versões e algumas alterações da letra original, ficou notabilizada no mundo em 1941 na voz da intérprete de jazz americano Billie Holiday. Após grande sucesso, chegou a ser censurada em alguns veículos de comunicação. À música, foi atribuída decisiva influência em aproximadamente 100 suicídios, inclusive no do próprio Rezsõ Seress, fortemente entristecido por tal acusação acerca de sua arte (Link).
Já um recente estudo do governo americano comprovou uma ligação entre a série da Netflix ’13 Reasons Why’ e o aumento de suicídios entre jovens nos EUA (Revista Época Negócios).
Na mais recente ‘Desconstrução’ de Tiago Iorc, uma garota entrega os pontos, na tentativa de ser heroína de si mesma. Assim, busca aliviar e levar em seus ombros sua própria dor e culpa, pela ausência do pai e consequente vida desconstruída nas redes. Logo, sua narrativa viraliza, porque quem dá sua vida, de uma forma ou de outra, se torna herói de alguém.
Conscientemente ou não, a Arte tem grande impacto na vida das pessoas. Ela tem seu valor e beleza. Logo, produções como as citadas despertam pelo menos ao debate e diálogo, como neste post.
É indispensável. E nosso Setembro Amarelo é uma prova disso.

Alerta Amarelo

Contudo, é preciso atentar para que isso não seja só abrir feridas, sem tratá-las, ou lutar juntos por cura. Aqui ligamos um sinal amarelo de alerta. No mínimo, temos de ouvir o outro e apontar-lhe esperança. Apresentar ouvidos atentos, amizade e acalento. É gritante fazer algo, notar evidências, ir além das aparências. Possibilitar ações específicas, grupos de ajuda e escuta. Talvez ao colega de sala, trabalho, quarto, ou você mesmo.

Outra pArte da história

É preciso aqui contar a outra parte da história. Por mais doloroso e confrontador que possa soar, tal ato nunca conseguiu ser uma saída eficaz para nosso mundo decaído. O fato é que a perda de alguém não consegue resolver o problema do mal que persiste, e esta tentativa frustrante acaba se repetindo na vida de outros garotos e garotas, enquanto a dor da saudade e aflição ainda perduram com quem fica do lado de cá.
Nesse ano, uma adolescente de 16 anos na Malásia postou uma pesquisa em sua conta no Instagram sobre se ela devia viver ou morrer e se suicidou depois que a maioria de seus seguidores votaram a favor de sua morte.

Setembro e as razões

Entre relatos de vítimas, não é difícil encontrar pensamentos como: não sou digno(a) do mundo ou o mundo não é digno de mim. Ninguém faz isso sem motivo, até mesmo quando aparentemente não se percebe. A morte é vista como uma maneira de acertar as contas. Um tipo de condenação a si mesmo (por algum mal que tenha causado ou algum bem sem merecimento que tenha recebido) ou às pessoas do convívio (por algum bem que tenha feito sem ser notado(a), ou por algum mal que fizeram a ela, por exemplo), ou a ambos. A morte é vista, em certo sentido, como realizadora da justiça.

Morte sempre foi um problema

É natural, por exemplo, perceber quem ainda não assistiu “Vingadores” se tornar repetitivo ao indagar quem morre no final do filme; e quem já assistiu ficar sem graça tentando esconder esse fato inexorável. Sempre há quem morra nas cenas finais da história do cosmos. Em meio ao caos e desordem de nossas narrativas, um substituto hábil leva sobre si a culpa de todos e da justiça feita. Isso dá sentido à narrativa completa.
Após uma guerra derradeira, herói(s) se entrega(m) por inteiro. Em sendo o “Ultimato”, a lógica humana é que algum(ns) dele(s) se vá de vez. É impossível afastar essa realidade. O sangue de alguém é derramado. Mas gente de carne e osso não suporta tamanho sofrimento sem desconforto. E isso acompanha drasticamente nossos enredos.

É desumano

É muito duro levar nosso próprio fardo ou ainda o nosso e o dos outros sozinho. Como humanos, nunca suportamos. Diante do término da vida, estádios se calam, países param, guerras cessam, rotinas se quebram. A morte sempre foi e será ruptura. Pode-se dizer em certo sentido que é antinatural. Ela interrompe cursos naturais, sonhos de futuro, paixões e interesses reais, aptidões e habilidades, famílias construídas, projetos a curto, médio e longo prazo, novos fôlegos, vida em potencial. Eis a razão mais plausível: não fomos feitos pra isso. Quando acontece, é desumano. Levando em conta que antes da queda não havia tal sofrimento no Éden, não faz parte de nossa essência.

Então, se Setembro…

Se você é dos que propagam notícias de suicídio pelas redes, sem sequer refletir sobre a gravidade disso,  por favor, pare e pense. Este Setembro Amarelo será uma grande oportunidade para tanto. Se Setembro passou, há uma nova chance.
Se você compartilha Arte com o tema Suicídio, é um bom começo, mas use sua influência também para apontar saídas. Conte a outra parte: a parte de quem fica, a parte da possível cura, da reconstrução, a inevitável falta, a luta da vida, o choro, as lágrimas escondidas.
Se você tem sofrido com pensamentos suicidas… Sei que não é algo simples te dizer isso, mas ainda há esperança. Na vida, sempre há um Todavia.

Desde este Setembro, e nos meses seguintes…

Procure alguém, ou é possível que este post leve alguém até você. A verdade é que hoje você foi encontrado(a). Como alguém é encontrado pelo Amarelo do Sol ao adentrar à janela, ou o Amarelo de uma placa ao cruzar uma rua sem saída, ou ainda o sorriso amarelado de uma criança nos dias restantes deste tal Setembro.
Isso porque o único capaz de resolver tal dilema já o fez e tem impulsionado outros a apresentá-lo a você, como após este debate presente gerado por produções de Cinema e Música, como por um grupo de cristãos na Ponte Newton Navarro que já evitou cerca de 100 suicídios em Natal/RN (Link).
Deus se fez homem, então o Deus-homem Jesus morreu para se fazer justiça. Para ele, custou vida e morte. O lampejo gracioso é que você não precisa mais tirar ou entregar a sua. O santo, ferido, magoado, homem de dores, experimentado no sofrer, irrepreensível, humilde e empaticamente justo tomou pra si tudo isso, e levou em seu corpo todas as nossas dores e julgamentos.
Talvez ninguém tenha te contado, mas há Aquele que já suportou essa cruz sozinho, toda a condenação, e ainda usou todo seu poder pra romper e vencer a morte.
Não precisa mais ser você, mas já foi por você.
Por essa razão, o convite dele hoje é “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso” (Mateus 11:28).

Todavia,

Descanso para você vivo(a).
Você não precisa fazer o que estava pensando.
Se eu te disser que lá fora pode haver um Setembro bem Amarelo para o seu dia amanhecer?
p.s. E como alguém que encontrou o sentido da vida na morte de Cristo, te apresento uma música autoral da banda que faço parte. Que hoje mesmo o seu quarto escuro seja iluminado por Fé, Amor e Esperança (Banda Rede Nuvem). 

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