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5 coisas inusitadas que pensei numa festa de formatura

setembro 3, 2019

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5 coisas inusitadas que pensei numa festa de formatura

Me formei há quase dez anos e nesta semana tive a oportunidade de ir a uma festa de formatura no mesmo lugar que estive há uma década. Observei que pouco mudou neste tempo. 

Todos chegam com uma hora de atraso, conversam e esperam o descer das escadas do formando que lhe convidou. Têm-se a descida do fanático por futebol, do sertanejo, do evangélico e do beberrão.

“Viver e não ter a vergonha de ser feliz” ainda é a mais tocada. Muita vergonha alheia depois, começam comemorações aleatórias, música, dança, bebida, pessoas indo embora e outras convencidas a virar a noite.

Mas algumas coisas mudaram!

1 – Nunca ouvi tanto funk em minha vida

Parece que esta tem sido a grande trilha sonora. Pessoas em uma gaiola de prostituição, violência, deturpação da mulher e banalização do sexo. 

Ainda tem a ostentação de alguém que aparentemente venceu na vida, mas que gera apenas a inveja naqueles que nada tem.

Não existe pecado num ritmo, mas eu esperava mais discernimento e criatividade diante de atrocidades que se dizem através da música.

2 – Entre o culto ecumênico e a festa

É comum uma celebração religiosa antes da festa.  Neste dia, todos de branco entram e buscam bênçãos em seus anéis que simbolizam compromisso em suas profissões. Normalmente me sinto um espantalho nestes lugares. Esperam que eu apenas conforte seus corações e celebre suas vitórias, mas o momento poderia ser mais sincero, poderia ser uma hora de desafio e realismo social.

Dias depois, o “sagrado” é deixado de lado e parte-se para o “secular”. Eu não acredito nesta divisão, devemos ser o que somos em todos os lugares, mas a religiosidade nos prega peças. Cordeirinhos viram lobos em uma noite de insinuações e bebida.

Não digo isso como se esperasse algo diferente. Isto é, infelizmente, o mundo em que vivemos! Só percebo nisso tudo a realidade do jovem brasileiro, que busca Deus em suas comodidades, mas que não O encontra em sua integralidade.

3 – Não se decepcione, mas…

Lembro que desci as escadas com um coração extremamente grato a Deus, pois foi um grande desafio vencido. Contudo, ninguém me preparou para o que viria. Passou o tempo em que um diploma de graduação garantia um futuro profissional.

A colação de grau é apenas uma pequena fase. O que se seguirá a isso é muito mais trabalho, dedicação e estudo do que tudo que já foi anteriormente. Você deverá buscar, provavelmente, um outro grau de diploma, um emprego que lhe valorize ou estudar para um acirrado concurso. Não se decepcione, mas, em tudo isso, descer as escadas não é o fim da jornada, é apenas o começo.

4 – Não tenho mais idade

Quando meus pais saíam no começo da festa, não os entendia. Como é possível se arrumar tanto para ficar apenas duas horas num lugar? Agora eu os entendo! Não tenho mais idade para me arrumar às 22 horas. Colocar uma roupa de festa no momento em que estaria me vestindo para dormir é desanimador.

Tenho dois filhos para arrumar, cuidar, esperar que não se percam na multidão ou que o som não atrapalhe seu sono. Tudo isso enquanto “aproveito a festa”. Formando devidamente “descido nas escadas”, barriga levemente cheia, foto rapidamente tirada e eu já me encaminho para casa subtraindo na mente as horas de sono dos filhos às horas que terei para dormir.

Minha esposa faz uma cara de leve decepção, mas “a vida é assim”, digo a ela. Passou nossa fase, passou o nosso tempo.

5 – Quero ir de novo

Por muito tempo nossa vida gira em torno de passar no vestibular, se formar, arrumar um grande emprego, ganhar bem, realizar nossos sonhos. Parece que cheguei numa fase da vida onde já alcancei ou me conformei em não alcançar todas estas etapas.

Não tenho mais grandes sonhos! Não mais como era antes. Não penso mais em mim! Penso apenas nos meus filhos e minha esposa. Quero vê-los felizes, quero que eles alcancem seus sonhos, quero viver e dar minha vida por isso! Quero que eles encontrem alegria no Senhor e que Ele seja o norte de suas vidas. Quero vê-los descer varias escadas, tornei-me um expectador, um narrador que participa da história, mas se coloca unicamente como um instrumento para uma grande causa.

Não estou mais no centro. Passei da fase em que esperava holofotes. Não é que não tenho mais sonhos, tenho vários, mas eles não me distraem. Quero apenas alcançar aquilo que Deus tem pra mim, quero ajudar meus filhos a viver isso também. A vida não é tudo aquilo que eu esperava uma década atrás, mas é muito melhor do que eu podia imaginar.

 

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