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A depressão e a igreja

agosto 14, 2019

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A depressão e a igreja

 Viver igreja, há um tempo considerável, me fez observar conflitos reais sobre a forma como são vistas e cuidadas as pessoas que sofrem com transtornos mentais, sobretudo a depressão.

 Atualmente, os estudos confirmam que aqueles que sofrem de transtornos mentais, em sua maioria, ficam bem melhores se fazem parte de uma comunidade religiosa. Entretanto, existe um número crescente e preocupante de pessoas que se sentem em guerra quando se trata de lidar com a depressão na igreja.

Visão super espiritualizada

A causa disso é que muitos membros e pastores desprezam a importância de compreender que o ser humano é composto por corpo, alma e espírito. Consequentemente, lidam como se a depressão fosse sempre e tão somente um pecado. Essa postura, infelizmente, acaba por dificultar a procura por tratamentos psicoterápicos, tão indispensáveis para o tratamento dessas doenças.

Um sentimento recorrente entre as pessoas com depressão é o “afastamento imaginário de Deus”. A igreja, enquanto corpo, tem o papel de ser aquela que mostra a verdadeira aproximação de Deus (Salmos 119:50). Contudo, o que vemos, na maioria das vezes, são dedos apontados por aqueles que tanto falam sobre Ele. Acentuando assim, o sentimento de abandono. 

É sobre empatia e compaixão

Toda comunidade precisa entender a fragilidade pela qual essas pessoas estão passando. Principalmente em sua área espiritual. Mesmo que estejamos falando de uma depressão causada por fatores biológicos ou advindos de circunstâncias. A fragilidade espiritual é um sintoma recorrente e precisamos estar preparados para agir com compaixão e empatia.

        Em geral, posso distinguir dois tipos de pessoas na igreja que se deparam com alguém que sofre de depressão:

  1. As que aumentam ainda mais o peso da fraqueza, limite, pecado e imperfeição das pessoas que estão sofrendo. Com a justificativa de procurar a “raiz de pecado” que levou à doença. Cobram “o melhor” dessas pessoas e nunca se satisfazem, quando afirmam que a culpa da não melhora está na insuficiência de fé. Fazem os que sofrem pensar que os resultados dos esforços são muito pequenos e que Deus continua desagradado. 
  2. O segundo tipo, aprendizes de Jesus, são aqueles que, com compaixão, decidem andar junto, escutar, se colocar no lugar, orar, fazer devocionais com essas pessoas. Lembrando-as constantemente do amor gracioso de Deus. Trazendo a esperança que tanto se perde com a depressão, ao relembrarem o dito em Romanos 8: 38, 39: 

“Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.”

Que tipo de pessoa você decide ser daqui para frente?

One Comment
  1. Gustavo Rodrigues

    Infelizmente esse é o mal do século...! Nesse artigo há informações para complementar esse excelente artigo: Depressão e ansiedade na igreja https://conhecendoabiblia.com.br/depressao-ansiedade/ Força para todos que estão passando por isso e um grande abraço, fiquem na paz do Senhor!

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