Eu

Há sentido pra vida?

setembro 27, 2019

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Há sentido pra vida?

Eu tinha mais ou menos 14 anos quando comecei a entrar numa crise depressiva e de fato ter o transtorno depressivo. Eu fui perdendo a alegria de viver aos poucos… Eu me achava feia, incapaz, burra (porque não era boa em todas as matérias da escola), gorda (e eu estava bem magra na época). Eu simplesmente me achava um ‘’nada’’, um ‘’tanto faz’’.

Eu tinha uma amiga próxima na escola e comecei a escrever cartas para ela dizendo que não queria mais viver, que estava me sentindo muito triste, que não gostava de mim mesma. Depois de um tempo também comecei a me cortar e a intensidade da depressão foi aumentando. Eu não encontrava razões para viver.

Num belo dia, a mãe dessa minha amiga da escola encontrou uma dessas cartas e ligou para minha mãe preocupada. Minha mãe ficou desesperada e minha família muito preocupada. Comecei então uma jornada de ir para psicóloga e psiquiatra (precisei até tomar remédio, e não vejo problema nisso). Tanto a psicóloga como o psiquiatra foram peças muito importantes no processo, mas não foram tudo.

Ainda tinha algo incompleto em mim. Fui melhorando aos poucos, o remédio foi ajudando, mas ainda existia uma falta em mim. Eu nasci em berço cristão, eu sabia para quem eu deveria recorrer, mas eu não tinha disposição nem forças para orar. Estava afundada na melancolia! Em 2013 quando eu estava no terceiro ano de ensino médio, só queria saber de estudar, não queria mais sair de casa e tudo foi desmoronando novamente. 

Eu fui me retraindo aos poucos. Eu tentava me “reconstruir’’ por mim mesma, por minhas próprias e poucas forças, e era sem sucesso. Eu me lembro que ia para o culto com meus pais e minha irmã, mas eu só queria ficar sentada bem atrás, longe de tudo e todos e só queria ir embora. Tudo me deixava triste e nada fazia sentido. E novamente, tudo para mim se resumia a um ‘’tanto faz’’. Afinal, que diferença fazia a minha vida?

Minha mãe ficou novamente muito preocupada e pagou para eu ir para um acampamento que ia acontecer na igreja. O acampamento não era para minha idade, não era para pessoas novas, mas diante da necessidade me liberaram e minha mãe também conseguiu que minha amiga fosse comigo, pois seria mais fácil para que aceitasse ir. Neste evento eu passei três dias só ouvindo sobre Jesus e escutando testemunhos de pessoas que já haviam passado por diversas provações, e confesso que fui impactada.

As palavras de Paulo nunca fizeram tanto sentido para mim: quando sou fraca é que sou forte!!!

Eu estava distante de Deus, mas foi neste momento de fraqueza que Cristo pôde tomar a frente em minha vida. Ele estava fazendo a obra! Ele fez tudo acontecer na minha vida. Ele precisou demolir algumas coisas na minha vida para reconstruir outras, mais fortes.

Tudo que eu já tinha ouvido, lido, e aprendido sobre Ele começou a florescer no momento certo. Eu não via minha vida como preciosa, mas Jesus se importa tanto com ela que morreu por mim. Ele me encontrou nas minhas dores.

Tudo passou a fazer sentido porque Ele é a plenitude do sentido.

Eu descobri que havia um lugar seguro para mim e eu não queria que nada mudasse isso. Com Cristo, eu passei a enxergar tudo diferente. Eu sabia que minha vida fazia parte de algo maior, um propósito, e não queria que nada mais me afastasse disso. Ele tem coisas mais importantes para dizer do que eu.

E hoje? Ah, hoje. Os ventos continuam soprando…

 Não mais o vento da depressão. 

Mas existem outros ventos que chegam e querem nos derrubar, nos fazer parar, existem ventos que trazem dias difíceis, tristezas, enfermidades, ansiedades…  Mas hoje eu sei quem sopra a vela do meu barco!

Eu sei quem está comigo!

Eu sei quem luta por mim!

Eu sei que tudo faz parte de um propósito maior!

Eu sei que nenhum vendaval destrói uma casa edificada e fundamentada na rocha!

Nenhum vento roubará minha alegria. A alegria de quem é alimentada pela palavra.

Sem Ele, eu nada posso fazer. Com Ele, tudo passa a existir. Quando eu tentei fugir Ele me alcançou e me mostrou que era apenas o começo. 

Há um lugar onde encontramos refúgio para as tempestades da vida.

Um dia tudo terá passado. 

O que eu poderia oferecer para o maior amor do mundo? Entreguei meu coração para Ele. Ele terá sempre, sempre, sempre meu coração ansiando por Ele até que meus olhos o contemplem. 

Sou Malu, tenho 23 anos, e sou graduada em Psicologia. Hoje eu amo aconselhar pessoas que perderam o sentido de viver, que estão passando por vendais, etc. Eu sou apaixonada pela área de crianças especiais (principalmente autistas). Sabe aquela música de Rodolfo Abrantes que diz ‘’E que das minhas feridas saia poder para curar’’? Então, a escolha do curso não foi em vão, tudo foi direcionamento do Senhor.

Tenho um noivo maravilhoso, uma família maravilhosa que me ama e eu os amo, estou cercada de pessoas abençoadas e que me inspiram, lidero um grupo pequeno na igreja com meninas maravilhosas, acompanho crianças especiais maravilhosas que todos os dias me ensinam sobre esperança, faço parte de uma igreja muito abençoada  onde conheci pessoas que quero levar para o resto da vida. 

E sabe por que estou dizendo tudo isso? Porque alguns anos atrás eu não imaginava nem que estaria viva, não existia perspectiva de futuro em mim. E hoje quero aproveitar cada segundo do fôlego de vida que o Senhor me der, quero ser uma representante de Jesus por onde Ele me levar, quero viver sempre com muita fome e muita sede da Palavra de Deus, quero manifestar Jesus. 

Entreguei completamente meu coração para Ele, e eu gastarei minha vida aos pés Dele até que meus olhos o vejam, e nada vai mudar isso. Ele juntou todos os pedaços que existiam em mim e fez nova todas as coisas.

Ele faz com que a vida seja digna de ser vivida.

Existe um sentido. Existe mais. Existe eternidade em mim.

 

Autora convidada: Maria Luiza Targino Cavalcanti (@malutcavalcanti)

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